A presença de percevejo marrom e verde na soja é um desafio constante para quem busca produtividade e qualidade na lavoura. Essas pragas podem parecer pequenas, mas os danos que causam são grandes, tanto no vigor das plantas quanto na rentabilidade final. Entender o comportamento desses insetos, saber quando agir e escolher o manejo certo é o que faz a diferença entre uma safra promissora e uma colheita comprometida.
Por que o percevejo é um problema tão sério na soja?
O percevejo é uma das principais pragas da cultura da soja no Brasil. Isso acontece porque ele se alimenta sugando a seiva de partes vitais da planta, como ramos, hastes e vagens, interferindo diretamente no enchimento dos grãos. O resultado são sementes malformadas, manchadas e com baixo peso, o que reduz o valor comercial e afeta o potencial produtivo da lavoura.
Além disso, o ataque dos percevejos pode enfraquecer as plantas, tornando-as mais suscetíveis a doenças, o que resulta em queda na produtividade e perda de qualidade no produto final.
Percevejo marrom, o inimigo mais comum da soja
O percevejo-marrom (Euschistus heros) é considerado o mais comum e prejudicial na cultura da soja. Mede cerca de 1,5 cm, tem coloração marrom com manchas claras e se adapta muito bem a regiões de clima quente, o que explica sua ampla presença em áreas produtoras do Brasil.
Ele causa prejuízos ao sugar a seiva de ramos, hastes e vagens, provocando a chamada “retenção foliar”, uma condição em que as folhas permanecem verdes mesmo após a maturação das vagens. Essa retenção dificulta o desenvolvimento normal e atrasa a colheita.
Os danos diretos aparecem nas vagens e nos grãos, que ficam enrugados e com menor teor de óleo e proteína. O resultado é uma perda significativa de peso e qualidade, comprometendo o rendimento por hectare.

Percevejo verde, silencioso, mas igualmente perigoso
Já o percevejo-verde (Nezara viridula) mede cerca de 1,5 cm e possui coloração verde brilhante com pequenas manchas brancas. É uma espécie polífaga, ou seja, alimenta-se de diversas plantas, incluindo a soja, o feijão e o algodão.
Durante o ataque, o percevejo verde perfura as vagens e injeta toxinas nos tecidos da planta. Esse processo causa manchas e deformações nos grãos, que acabam ficando depreciados comercialmente. As toxinas também prejudicam o desenvolvimento da planta, que perde vigor e passa a produzir menos.
Além disso, o ataque constante pode abrir portas para fungos e bactérias, aumentando o risco de doenças e dificultando o manejo sanitário da lavoura.

Quando e por que eles se multiplicam com mais facilidade?
A proliferação de percevejos está diretamente ligada às condições do ambiente e às práticas de manejo adotadas. Temperaturas elevadas, alta umidade e a presença de plantas hospedeiras alternativas, como feijão, guandu e até ervas daninhas, criam o cenário ideal para a reprodução e dispersão dessas pragas.
Outro fator preocupante é a redução dos inimigos naturais, como parasitoides e predadores. Isso ocorre principalmente quando há uso excessivo de inseticidas de amplo espectro, que acabam eliminando também os agentes benéficos.
Além disso, práticas como o cultivo sucessivo de soja em áreas próximas e o acúmulo de restevas no solo aumentam as chances de sobrevivência dos percevejos entre uma safra e outra.
Como identificar o início da infestação
Os sintomas do ataque dos percevejos são perceptíveis nas folhas amareladas e encarquilhadas, na presença de fumagina, uma camada escura sobre folhas e frutos,e nos grãos perfurados e manchados.
O ideal é iniciar o acompanhamento logo após o desenvolvimento das vagens, realizando amostragens semanais com o pano-de-batida. Essa prática ajuda a identificar precocemente a presença das pragas e a determinar o momento certo de intervenção.
A tomada de decisão deve ser baseada no Nível de Dano Econômico (NDE), que indica a densidade populacional da praga a partir da qual o controle se torna economicamente viável.
Manejo integrado
Para controlar os percevejos é preciso adotar uma estratégia integrada que combine diferentes métodos de manejo.
Monitoramento constante
Acompanhar a lavoura semanalmente com o pano-de-batida é essencial. Essa ferramenta simples fornece dados sobre a densidade populacional e ajuda o produtor a agir no momento certo.
Controle cultural
Eliminar plantas voluntárias e restevas é uma forma eficiente de reduzir fontes de abrigo e alimento para os percevejos. A limpeza adequada das áreas próximas à lavoura também ajuda a diminuir a pressão de infestação.
Controle biológico
Preservar e liberar agentes naturais de controle é uma estratégia sustentável e eficaz. O parasitoide Trissolcus basalis, por exemplo, é um grande aliado, pois ataca os ovos dos percevejos antes mesmo de eclodirem.
Controle químico
Quando o nível de infestação ultrapassa o NDE, a aplicação de inseticidas se torna necessária. No entanto, é importante alternar os modos de ação e priorizar produtos seletivos, que preservem os inimigos naturais e reduzam o risco de resistência.
Monitorar, prevenir e agir
O percevejo marrom e verde na soja é uma ameaça constante, mas o controle é possível quando há monitoramento e manejo adequado. Identificar precocemente, adotar medidas preventivas e agir no momento certo são atitudes que garantem produtividade e reduzem perdas.
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