O manejo da ferrugem asiática é essencial para proteger a soja e manter bons níveis de produtividade. Esta doença fúngica é uma das mais severas que afetam a cultura no Brasil e pode reduzir a produção drasticamente se não for tratada de forma correta.
O que é ferrugem asiática
A ferrugem asiática é uma doença fúngica que afeta a soja. Ela é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, um organismo que depende de tecido vegetal vivo para sobreviver (fungo biotrófico).
Este patógeno está presente em praticamente todas as regiões produtoras de soja no Brasil desde sua primeira detecção em 2001 e é conhecido por causar perdas de produção significativas quando as condições são favoráveis à sua disseminação.
As folhas das plantas são o principal local onde os sintomas aparecem, provocando desfolha precoce e redução da capacidade de fotossíntese.
Como o fungo se propaga
O fungo Phakopsora pachyrhizi libera esporos (uredosporos) que podem ser transportados pelo vento por longas distâncias e infectar novas plantas em condições climáticas favoráveis.
A infecção depende da presença de água livre sobre as folhas. Ela ocorre quando as folhas permanecem molhadas por longos períodos (geralmente 6 a 8 horas ou mais) em temperaturas amenas.
Este padrão explica porque períodos de chuva ou orvalho prolongado favorecem o desenvolvimento da ferrugem asiática no campo.
Sintomas da ferrugem asiática
- Os primeiros sintomas surgem, geralmente, nas folhas mais velhas da planta.
- Observam-se manchas pequenas, castanhas a marrom-escuras, com até 1 mm de diâmetro.
- Na face inferior das folhas, formam-se urédias, estruturas responsáveis pela produção e liberação de esporos do fungo.
- Com a evolução da doença, ocorre amarelecimento progressivo das folhas, seguido de secamento e queda precoce.
- A desfolha reduz a área fotossintética, comprometendo o enchimento de grãos e resultando em perdas de produtividade.

Condições climáticas de risco e por que dezembro exige atenção
Chuvas regulares, orvalhos prolongados e períodos com alta umidade foliar criam ambiente ideal para a propagação dos esporos.
Variedades tardias ou plantas que ainda se encontram em florescimento ou enchimento de grãos tendem a ser mais vulneráveis. Por isso, especialmente em dezembro, é fundamental intensificar o monitoramento da lavoura.
A coleta sistemática de dados em campo permite decisões rápidas de manejo e evita que focos iniciais se expandam.
Estratégias de manejo da ferrugem asiática
O manejo eficaz requer a integração de várias práticas. Nenhuma ação isolada resolve o problema por completo, mas a combinação de medidas aumenta a eficácia e reduz impactos ao longo da safra.
Planejamento da semeadura
A calendarização da semeadura é uma das primeiras medidas que o produtor pode adotar.
Semear mais cedo, dentro da janela recomendada para a sua região, pode ajudar a reduzir o risco de infecção, pois plantas em estádios mais jovens costumam ser menos vulneráveis durante períodos críticos de entrada de inóculo.
Vazio sanitário
O vazio sanitário é um período sem plantas de soja na área, estabelecido para reduzir o inóculo do fungo entre safras.
No Brasil, recomenda-se um intervalo de 60 a 90 dias sem soja viva, geralmente entre safras, para reduzir os esporos de ferrugem ainda presentes no campo.

Monitoramento regular
O monitoramento constante da lavoura permite ações rápidas. Observe folhas mais velhas semanalmente para detectar manchas iniciais.
Ferrugem asiática pode aumentar rapidamente em condições favoráveis, por isso a observação atenta é crucial para identificar os primeiros sintomas e aplicar controle antes de se tornar severa.
Uso de fungicidas
Fungicidas continuam sendo uma das ferramentas mais importantes no manejo da ferrugem asiática da soja.
Estudos cooperativos realizados pela Embrapa mostram que diferentes fungicidas aplicados de forma preventiva ou no início dos sintomas podem reduzir a severidade da doença e proteger a produção.
Fungicidas são normalmente classificados conforme seu mecanismo de ação. Alguns grupos importantes incluem:
- Inibidores de desmetilação (IDM ou triazóis)
- Inibidores da quinona externa (IQe ou estrobilurinas)
- Inibidores da succinato desidrogenase (ISDH ou carboxamidas)
Alternância de mecanismos de ação
O uso repetido de fungicidas com o mesmo modo de ação pode reduzir sua eficácia ao longo do tempo.
Por isso, recomenda-se alternar fungicidas com mecanismos de ação diferentes e, quando possível, utilizar misturas comerciais que contenham mais de um princípio ativo.
Ferrugem asiática e resistência genética
Apesar de cultivares com genes de resistência estarem disponíveis, elas não são completamente imunes à doença e devem ser usadas em conjunto com outras práticas de manejo.
O uso de variedades com genes de resistência pode atrasar o desenvolvimento da doença, mas a ferrugem asiática pode evoluir e reduzir essa resistência ao longo do tempo. Portanto, o manejo integrado que combina resistência genética com práticas culturais e o uso racional de fungicidas é a abordagem recomendada.
Práticas adicionais de campo
Eliminar plantas voluntárias e hospedeiras alternativas na entressafra reduz fontes de inóculo. Manter a lavoura livre de plantas daninhas que possam abrigar o fungo é parte da prevenção contínua e reduz a pressão de doenças no início da safra.
Quem vive o campo sabe
Cada decisão certa no momento certo faz diferença no resultado da safra.
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