Controle de cigarrinha-do-milho

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A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é reconhecida por pesquisadores e agrônomos como uma das pragas mais sérias da cultura, não apenas pelo dano direto causado à planta, mas principalmente pela transmissão de doenças que reduzem rendimentos de forma significativa.

A necessidade de manejo integrado surge da complexidade dessa praga e dos prejuízos que ela pode acarretar.

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto pequeno, de coloração claro-palha, medindo cerca de 4 a 5 mm, discreto mas muito prejudicial à cultura do milho. Esse inseto se alimenta da seiva das plantas, causando danos diretos à vegetação e atuando como vetor de diversas doenças de importância agrícola.

O ciclo de vida da cigarrinha varia de aproximadamente 24 a 45 dias, com cada fêmea podendo depositar centenas de ovos ao longo de sua vida. Sua alta capacidade de reprodução e mobilidade facilita a disseminação em grandes áreas cultivadas em pouco tempo.

Os danos diretos são causados pela sucção de seiva, que reduz vigor, crescimento e resistência da planta. Eles podem ser observados quando as folhas apresentam sinais como lesões necróticas e leve enrolamento.

Já os danos indiretos ocorrem porque a cigarrinha é vetor de microrganismos que causam doenças sistêmicas. Entre elas estão:

  • Enfezamento-pálido, causado pelo Spiroplasma kunkelii;
  • Enfezamento-vermelho, causado por fitoplasmas;
  • Vírus do rayado fino.

Essas doenças sistêmicas provocam redução de crescimento, malformação de espigas, colmos enfraquecidos e, em casos severos, perdas totais da produção.

Um elemento essencial no controle da cigarrinha-do-milho é o monitoramento frequente da população da praga. Detectar a presença da cigarrinha antes que ela se torne numerosa aumenta a eficácia das estratégias de controle.

O monitoramento pode ser feito por meio de:

  • Inspeção visual, observando plantas jovens e cartuchos;
  • Armadilhas cromáticas (como armadilhas amarelas adesivas);
  • Contagem direta no cartucho ou na planta, para estimar densidade populacional;
  • Uso de tecnologias digitais, como imagens de drones ou satélite, agregando dados de campo para a tomada de decisão.

Uma estratégia combinada de métodos de monitoramento costuma ser mais precisa e confiável.

O manejo eficaz da cigarrinha-do-milho depende de ações combinadas em diferentes frentes. Essa abordagem é conhecida como Manejo Integrado de Pragas (MIP) e reúne métodos biológicos, culturais, mecânicos e químicos, sempre priorizando a sustentabilidade.

Práticas culturais incluem rotação de culturas e eliminação de plantas voluntárias ou hospedeiras que possam servir de abrigo à cigarrinha quando o milho não está presente. Isso reduz as fontes de infestação e limita a sobrevivência da praga fora do ciclo principal do milho.

O controle biológico utiliza agentes naturais para suprimir a população do inseto. Entre os fungos entomopatogênicos com eficácia comprovada estão:

  • Beauveria bassiana, um fungo capaz de infectar e matar cigarrinhas;
  • Cordyceps sinensis e outras espécies relacionadas, utilizadas em formulações comerciais como C99 (Lallemand) e Octane (Koppert).

Esses agentes podem ser aplicados de forma estratégica para reduzir densidades populacionais sem impactos negativos ao ambiente.

O uso de tratamentos de sementes com inseticidas é uma das formas de reduzir a população inicial da cigarrinha e, consequentemente, diminuir a incidência das doenças que ela transmite. Pesquisas indicam que tratamentos combinados como imidacloprid e thiodicarb podem oferecer controle eficiente nos estádios iniciais da planta, reduzindo a disseminação de patógenos e aumentando a produtividade.

É importante lembrar que esses tratamentos têm efeito predominante nos primeiros estádios vegetativos do milho, de modo que a proteção prolongada depende de um manejo contínuo.

Quando necessário, o uso de produtos químicos deve ser feito de forma estratégica. Isso significa aplicar defensivos após monitoramento e avaliação de risco, evitando aplicações indiscriminadas. A associação de tratamentos químicos com métodos biológicos ou culturais pode melhorar os resultados.

Estudos também apontam que escolher produtos compatíveis com os agentes biológicos utilizados no campo é essencial para maximizar a eficácia.

Para um controle eficiente da cigarrinha-do-milho em sua lavoura, considere as seguintes práticas:

  1. Monitore a lavoura semanalmente desde os estádios iniciais do milho.
  2. Use armadilhas cromáticas e contagem direta para estimar densidades populacionais.
  3. Adote tratamentos de sementes apropriados com inseticidas compatíveis com seu sistema produtivo.
  4. Inclua agentes biológicos como Beauveria e Cordyceps em seu programa de manejo.
  5. Combine ações culturais, biológicas e químicas de forma integrada.

Consulte sempre um técnico especializado para avaliar riscos específicos da sua região.

A cigarrinha-do-milho exige atenção constante, pois mesmo populações baixas podem causar grandes prejuízos ao transmitir doenças que afetam diretamente a produtividade. Por isso, o sucesso no controle depende de monitoramento contínuo, manejo integrado e escolhas técnicas bem fundamentadas desde o início do ciclo.

Cada área tem sua realidade, histórico e desafios próprios. Avaliar corretamente esses fatores faz toda a diferença para reduzir perdas e manter a lavoura saudável ao longo da safra. Conte com a Cimoagro para apoio técnico especializado em cada fase do cultivo, com orientação segura, estratégias eficientes e decisões baseadas em informação confiável, sempre ao lado do produtor no campo.

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