Os pomares de citros no Brasil enfrentam desafios contínuos relacionados a doenças que comprometem a produtividade e a qualidade dos frutos. Entre as principais ameaças estão o greening, uma doença bacteriana sem cura conhecida, e a pinta-preta, causada por fungos que afetam diretamente a aparência e o rendimento das frutas.
Embora ambas impactem negativamente a citricultura, suas formas de ataque, sintomas e manejo apresentam diferenças importantes. Entender essas particularidades é essencial para proteger o pomar, reduzir perdas econômicas e garantir frutos de alta qualidade para o mercado interno e externo.
Entendendo o Greening e seus impactos
O greening é uma doença bacteriana transmitida pelo psilídeo, inseto pequeno, de 2 a 3 milímetros, mas altamente eficiente na disseminação da bactéria. Essa doença provoca maturação desigual dos frutos, deixando partes verdes mesmo após o período normal de colheita.
– Plantas jovens: O greening pode impedir completamente a produção de frutos.
– Árvores adultas: Apresentam amarelamento das folhas, queda prematura de frutos, deformações e, em casos avançados, morte da planta.
Uma característica marcante do greening é a facilidade de disseminação. O psilídeo concentra-se nas bordas dos pomares, onde geralmente estão as plantas mais jovens, e pode originar milhares de insetos contaminados a partir de uma única planta infectada. Essa dinâmica transforma o controle do greening em um desafio constante, exigindo monitoramento diário e estratégias preventivas integradas, nas quais a Cimoagro atua apoiando os produtores com orientação técnica especializada.

Estratégias de manejo do Greening
O manejo do greening envolve práticas integradas que fortalecem as plantas e reduzem a disseminação da doença:
Plantio com mudas sadias:
- Use mudas certificadas, provenientes de viveiros protegidos e fiscalizados. Isso garante que o pomar comece livre da bactéria.
Fortalecimento do crescimento das plantas:
- Adubação correta e manejo adequado do solo.
- Irrigação eficiente para promover desenvolvimento saudável.
- Plantio adensado e uso de mudas com pernadas.
- Tratos culturais regulares para fortalecer a resistência natural das plantas.
Manejo intensivo nas bordas:
- Pulverizações frequentes a cada 7 a 14 dias em bordas de talhões reduzem a entrada e disseminação do psilídeo.
- Orientamos que essa prática é essencial para proteger mudas jovens e evitar infestações iniciais.
Inspeção e erradicação de plantas doentes:
- Sintomas mais evidentes entre fevereiro e julho.
- Plantas contaminadas devem ser removidas imediatamente para impedir a propagação.
Monitoramento contínuo do psilídeo:
- Detectar a chegada do inseto permite otimizar pulverizações e economizar insumos.
Controle químico:
- Aplicação de inseticidas específicos para reduzir o avanço da doença, sempre respeitando recomendações técnicas e ambientais.
Compreendendo a Pinta-Preta e sua importância
A pinta-preta é uma doença fúngica que compromete diretamente a aparência e o peso dos frutos, impactando a comercialização no mercado interno e a exportação. Diferentemente do greening, que ataca a planta como um todo, a pinta-preta afeta principalmente os frutos. Os efeitos dessas doenças comprometem tanto o mercado interno quanto a exportação de frutas in natura, além de reduzir significativamente a produtividade. Em pomares que não adotam o manejo correto, a perda pode chegar a 85%, de acordo com estudos da Embrapa sobre citricultura.

Ciclo e períodos críticos
- Infecções ocorrem desde a queda de pétalas (setembro/outubro) até o fim do período chuvoso.
- Variedades precoces, como Hamlin, exigem menos aplicações de fungicidas, enquanto tardias, como Valência e Natal, necessitam de proteção prolongada até o final do período de chuvas.
- Pomares mais velhos, com histórico da doença, requerem atenção redobrada e proteção contínua.
Manejo preventivo da Pinta-Preta
A adoção de práticas bem planejadas ajuda a reduzir a incidência da doença, preservar a produtividade e a qualidade dos frutos, sem depender exclusivamente de produtos químicos específicos.
Aplicações de fungicidas:
- As intervenções devem ser realizadas principalmente entre a queda de pétalas e o final do período chuvoso, considerando a idade e a variedade do pomar.
- O uso de fungicidas deve ser feito de forma planejada, com atenção à frequência e à dosagem correta, garantindo que toda a copa seja atingida e evitando desperdício de insumos.
Intervalo entre aplicações:
- Para máxima eficiência, o intervalo entre as pulverizações deve ser controlado, evitando períodos longos sem proteção, especialmente durante os meses de maior risco climático.
- A aplicação deve respeitar recomendações técnicas, garantindo cobertura uniforme e potencializando a proteção das plantas sem comprometer o ecossistema do pomar.
Integração com o manejo do cancro cítrico:
- A prevenção da pinta-preta deve ser realizada de forma integrada com o manejo de outras doenças, como o cancro cítrico, utilizando práticas complementares que potencializam o efeito das pulverizações.
- Medidas culturais, como podas estratégicas e manutenção adequada dos equipamentos de aplicação, são essenciais para garantir que todas as partes do pomar recebam proteção eficiente.
A importância do manejo integrado
O controle do greening e da pinta-preta requer um Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP), que combina medidas culturais, biológicas e químicas:
Medidas culturais:
- Plantio de mudas sadias e variedades resistentes.
- Tratos culturais regulares, irrigação eficiente e adubação adequada.
- Limpeza de bordas e eliminação de plantas hospedeiras.
Medidas biológicas:
- Monitoramento de predadores naturais do psilídeo.
- Preservação do equilíbrio do ecossistema, permitindo que inimigos naturais contribuem para o controle.
Medidas químicas:
- Uso de inseticidas e fungicidas recomendados, aplicados conforme o monitoramento.
- Estratégia que evita desperdício e reduz risco de resistência química.
Monitoramento constante
- Inspeções regulares identificam sintomas precoces de greening e pinta-preta.
- Cronogramas de pulverização ajustados ao momento de ataque do psilídeo ou propagação do fungo.
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