A ameaça da septoriose no tomateiro

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A cultura do tomate exige atenção aos mínimos detalhes durante todo o ciclo produtivo. Entre os problemas fitossanitários mais graves, a septoriose sempre se destaca.

Essa doença fúngica avança rapidamente pelas folhas baixeiras das plantas e pode comprometer drasticamente a rentabilidade da produção. Se você encontrar o tomateiro com manchas nas folhas, redobre o monitoramento da plantação imediatamente. Afinal, a prevenção rápida e o diagnóstico precoce são essenciais para garantir boas colheitas. Entenda os principais sinais dessa ameaça silenciosa no campo e saiba como defender a sua produção com segurança e eficiência.

A septoriose, amplamente conhecida como mancha de septória, reduz o vigor das plantas. Ela é provocada pelo patógeno Septoria lycopersici e afeta severamente a sanidade da lavoura. Além disso, pode atingir outras solanáceas cultivadas nas propriedades rurais. Em casos mais graves, os ataques podem causar perdas de até 100 por cento da produtividade. Esse patógeno sobrevive nos restos culturais infectados deixados no solo e se espalha por meio de gotas de chuva.

Quando essas gotas respingam no solo contaminado, projetam esporos para as partes superiores da planta. Assim, o fungo atinge rapidamente a parte inferior das plantas.

Essa doença pode se manifestar em qualquer fase da cultura, mas costuma ocorrer com maior intensidade no início da frutificação. O patógeno avança de baixo para cima nas estruturas vegetais, iniciando a contaminação pelas folhas mais velhas da base.

Os primeiros sinais visíveis são pequenas manchas encharcadas com formato quase circular. Com a evolução do problema, essas lesões adquirem coloração marrom acinzentada. Em seguida, o centro apresenta um tom de palha mais claro, enquanto as bordas ficam escurecidas e frequentemente exibem um contorno amarelado evidente, conhecido como halo infeccioso.

Outra característica da septoriose é o surgimento de pequenos pontos pretos no centro das lesões. Essas estruturas microscópicas são chamadas de picnídios e funcionam como áreas de reprodução da doença. Nelas, o fungo produz esporos responsáveis pela disseminação. Embora menos frequente, a doença também pode aparecer no caule principal e, mais raramente, atingir cálice, flores e frutos verdes. Ainda assim, não se deve esperar o agravamento do problema para iniciar as medidas de controle.

Em ataques severos, as lesões circulares aumentam rapidamente e passam a se unir na superfície das folhas. Esse processo provoca o amarelecimento total da folhagem, seguido de secagem e queda precoce. Essa desfolha intensa na base das plantas é conhecida como queima da saia.

O principal risco está na redução da área fotossintética. Sem folhas suficientes, os frutos se desenvolvem menores e ficam mais expostos à radiação solar. Como consequência, os tomates podem apresentar queimaduras na casca, comprometendo o padrão comercial. Esse tipo de dano reduz diretamente o valor de mercado da produção, tornando o controle preventivo indispensável.

O desenvolvimento da doença é favorecido por condições de alta umidade, temperaturas elevadas, chuvas frequentes e longos períodos de folhas molhadas. Esses fatores criam um ambiente ideal para a proliferação do fungo e aceleram o processo de infecção.

Além disso, plantios adensados e áreas com baixa ventilação contribuem para a manutenção da umidade entre as plantas, facilitando a disseminação da doença. Por isso, acompanhar as condições climáticas é essencial para definir estratégias de manejo mais eficientes.

O controle eficiente depende de um manejo bem estruturado. Como não há cultivares com resistência total, é necessário adotar medidas preventivas e corretivas de forma integrada.

Uso exclusivo de mudas sadias: Utilize apenas sementes certificadas e mudas livres de sintomas. Descarte qualquer material vegetal com sinais de contaminação.

Rotação de culturas estratégicas: Realize a rotação de culturas por pelo menos dois anos, utilizando espécies de outras famílias vegetais que não sejam solanáceas.

Limpeza rigorosa da área: Elimine e destrua os restos culturais infectados logo após a colheita para reduzir a fonte de inóculo.

Controle da irrigação: Evite o uso de irrigação por aspersão, pois o molhamento foliar favorece a doença. Caso seja necessário utilizá-la, prefira irrigar no período da manhã, permitindo a secagem das folhas ao longo do dia.

Aplicação de fungicidas: Utilize fungicidas sistêmicos e protetores registrados, aplicando-os nos primeiros sinais da doença para garantir maior eficiência no controle.

O sucesso produtivo depende diretamente do monitoramento constante e da adoção dessas práticas. Evitar falhas no manejo é essencial para preservar a produtividade e a qualidade dos frutos. Investir em prevenção é a forma mais segura de garantir rentabilidade.

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