Doenças de cacho no trigo: como proteger a espiga no florescimento

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As doenças de cacho no trigo representam um dos principais desafios para a cultura durante o florescimento. Nessa fase, a espiga passa por um momento de alta sensibilidade e pode ser infectada por fungos que comprometem tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.

O florescimento marca a exposição das anteras, estruturas reprodutivas da planta que favorecem a entrada de patógenos quando as condições ambientais são favoráveis. Por isso, chuva, alta umidade e temperaturas adequadas aumentam o risco de infecção e exigem monitoramento constante da lavoura.

Segundo a Embrapa, o manejo nesse período é decisivo para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo da cultura. Além disso, identificar corretamente as doenças permite definir estratégias de controle mais eficientes.

A brusone, causada pelo fungo Pyricularia oryzae (também denominado Magnaporthe oryzae em sua fase sexuada), é considerada uma das doenças mais importantes do trigo em regiões onde ocorrem temperaturas elevadas e alta umidade durante o florescimento.

Um dos principais sintomas é o branqueamento da espiga acima do ponto de infecção. Como o fungo interrompe o transporte de água e nutrientes, os grãos deixam de se desenvolver normalmente e tornam-se chochos ou mal formados.

De acordo com materiais técnicos da Embrapa, temperaturas entre aproximadamente 24 °C e 28 °C, associadas à elevada umidade, favorecem o desenvolvimento da doença. Dessa forma, acompanhar as condições climáticas torna-se uma etapa importante para o planejamento do manejo.

Além da redução da produtividade, a brusone pode comprometer significativamente a qualidade final da produção quando não é controlada no momento adequado.

Outra doença de grande importância é a giberela, causada principalmente pelo fungo Fusarium graminearum, cuja fase sexuada é conhecida como Gibberella zeae.

A doença costuma ocorrer quando há chuvas frequentes e alta umidade durante o florescimento. Os sintomas mais característicos incluem espiguetas esbranquiçadas que podem apresentar coloração rosada ou alaranjada devido à produção de estruturas do fungo.

Além de reduzir o rendimento da lavoura, a giberela prejudica a qualidade tecnológica dos grãos. Outro aspecto relevante é que o fungo pode produzir micotoxinas, compostos que afetam a qualidade do produto e podem limitar sua utilização conforme os padrões estabelecidos para comercialização.

Por esse motivo, a prevenção é considerada uma das principais ferramentas para reduzir os impactos da doença.

Durante o florescimento, as anteras permanecem expostas por um curto período. Essa condição facilita a entrada dos fungos responsáveis por diferentes doenças da espiga.

Como a infecção ocorre justamente nessa fase, aplicações tardias podem apresentar menor eficiência. Por isso, o monitoramento da lavoura e o acompanhamento das condições climáticas ajudam o produtor a definir o momento mais adequado para o manejo.

O sucesso do controle depende da integração entre monitoramento, escolha correta dos produtos registrados e aplicação realizada no estádio indicado para a cultura.

O controle das doenças de cacho no trigo começa antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Por isso, acompanhar a lavoura desde o início do florescimento permite identificar condições favoráveis ao desenvolvimento dos fungos e agir no momento correto.

Entre as principais recomendações técnicas estão a aplicação preventiva de fungicidas registrados para a cultura durante a floração, o uso de manejo químico e, quando recomendado, de ferramentas biológicas, sempre com orientação de um engenheiro-agrônomo. Além disso, uma boa cobertura da espiga durante a pulverização é essencial para aumentar a eficiência da aplicação.

Outra prática importante é a rotação de culturas. Essa estratégia contribui para reduzir a sobrevivência de patógenos na área e faz parte de um manejo integrado de doenças, especialmente em regiões com histórico de brusone e giberela.

Nenhuma medida isolada elimina os riscos de doenças. Por isso, monitorar as condições climáticas, acompanhar o estádio de desenvolvimento da cultura e avaliar frequentemente a lavoura permitem decisões mais rápidas e assertivas.

Nesse contexto, o manejo químico e o manejo biológico atuam de forma complementar. Enquanto os fungicidas registrados ajudam a proteger a espiga em momentos de maior pressão de doenças, as ferramentas biológicas integram a estratégia de manejo, contribuindo para um sistema mais equilibrado. Quando utilizados de forma planejada e com orientação técnica, ambos fortalecem o manejo integrado e ampliam a proteção da lavoura.

Assim, a combinação dessas estratégias, associada ao momento correto de aplicação e ao monitoramento constante, aumenta as chances de preservar o potencial produtivo do trigo e manter a qualidade dos grãos até a colheita.

O florescimento é uma fase decisiva para o sucesso da lavoura. Contar com orientação técnica faz toda a diferença para identificar riscos, definir o momento correto das aplicações e escolher as estratégias de manejo mais adequadas para cada área.

A equipe da Cimoagro está pronta para apoiar o produtor em todas as etapas da safra, com soluções e recomendações técnicas voltadas à proteção da produtividade e da qualidade do trigo.

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